Mudanças de humor, ansiedade, culpa, apatia, Burnout, isolamento social, perda de interesse e descontentamento. Essas são algumas palavras que caracterizam comportamentos gerados por condições de trabalho nocivas, responsáveis por desencadear transtornos. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 5,8% dos brasileiros (cerca de 12 milhões de pessoas) têm depressão: é a maior taxa da América Latina. Estima-se que entre 20% e 25%
Estima-se que entre 20% e 25% da população teve, tem ou terá depressão, sendo essa a doença psiquiátrica com maior prevalência no Brasil.
Em seguida, há a ansiedade, que afeta 9,3% dos brasileiros (cerca de 19,4 milhões) e faz com que o Brasil ocupe o primeiro lugar da lista de países mais ansiosos do mundo. Outro dado assustador é o fato de que o suicídio é a terceira principal causa externa de mortes entre os brasileiros, com 12,5 mil casos em 2017, segundo o Ministério da Saúde. Não é de impressionar que os transtornos mentais e comportamentais sejam a terceira principal causa de incapacidade para o trabalho, correspondendo a 9% da concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, segundo informações do 1° Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade, divulgado pela Secretaria de Previdência e o Ministério da Fazenda.
O levantamento evidencia que os episódios depressivos são o principal motivo de pagamento do auxílio-doença não relacionado a acidentes de trabalho, correspondendo a 30,67% do total, seguido de outros transtornos ansiosos (17,9%). Quando se analisa o quadro de auxílios pagos associados ao trabalho, os números são ainda mais expressivos: reações ao alto nível de stress e os transtornos de adaptação ocasionaram 79% dos afastamentos no período de 2012 a 2016.
Criar um ambiente de trabalho saudável, nesse contexto, é fundamental. Para isso, são necessárias estratégias e políticas governamentais que priorizem a construção de locais saudáveis de trabalho, em que gestores contribuem promovendo a saúde, segurança e o bem-estar de todos os funcionários. O assédio psicológico reflete uma realidade de muitos trabalhadores e as consequências podem ter sérios custos aos empregadores em relação à produtividade, que será diminuída. Outro fator de risco é a constante ameaça de desemprego e, ainda, há o agravamento do adoecimento mental no âmbito laboral devido a situações como relações norteadas por autoritarismo e competitividade.
Esses tópicos têm sido discutidos em diversas organizações. Já são uma preocupação constante às empresas e aos órgãos públicos, que precisam pensar em ações capazes de garantir a segurança e a saúde do trabalhador.

